O Banco Central (BC) anunciou uma mudança significativa na equipe responsável pela liquidação extrajudicial do Banco Master. Um novo liquidante, Sebastião Marcio Monteiro, foi designado para assumir o comando das operações, substituindo a EFB Regimes Especiais de Empresas LTDA.
A alteração, publicada no Diário Oficial da União (DOU) na última terça-feira, 24 de janeiro, ocorre devido a problemas de saúde e à necessidade de afastamento temporário de Eduardo Felix Bianchini, responsável técnico da liquidante original. Monteiro atuará como administrador e responsável técnico no período de 20 de fevereiro a 6 de março, conforme informações divulgadas pelo g1.
Entenda a Substituição e o Papel do Novo Liquidante
A nomeação de Sebastião Marcio Monteiro visa garantir a continuidade do processo de liquidação extrajudicial do Banco Master. Ele será o encarregado de gerenciar o encerramento das atividades de todas as empresas que compõem o Banco Master Múltiplo S.A. , uma tarefa complexa que exige atenção e continuidade.
Entre as instituições sob sua responsabilidade estão o Banco Master S.A., o Banco Master de Investimento S.A., o Banco Letsbank S.A., a Master S.A. Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários e a Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento. O papel do liquidante é crucial para assegurar que os procedimentos legais sejam seguidos, protegendo os interesses dos credores e finalizando as operações da instituição.
O Que Significa a Liquidação Extrajudicial
A liquidação extrajudicial é um processo determinado pelo Banco Central quando uma instituição financeira não possui mais condições de operar no mercado. Durante essa fase, um liquidante assume o controle total do banco, com a missão de encerrar suas operações, vender os ativos existentes e efetuar o pagamento dos credores na ordem estabelecida pela lei.
Ao final do processo, a instituição é formalmente extinta e deixa de fazer parte do sistema financeiro nacional. É um procedimento de alta complexidade, que visa regularizar a situação de bancos que perderam a capacidade de cumprir suas obrigações financeiras e operacionais, protegendo o mercado e os investidores.
Contexto da Liquidação: Investigações e Prisão
A decisão do Banco Central de liquidar o Banco Master foi tomada em 18 de novembro de 2025, um dia após a Fictor Holding apresentar uma proposta de compra da instituição, que pertencia a Daniel Vorcaro. Essa liquidação ocorreu pouco mais de dois meses depois que o BC havia rejeitado uma aquisição proposta pelo BRB (Banco de Brasília).
Um dia antes da liquidação, o cenário para o Banco Master se agravou com a prisão de seu proprietário, o banqueiro Daniel Vorcaro. A prisão ocorreu no Aeroporto de Guarulhos, como parte da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. Esta operação tem como objetivo principal combater a venda de títulos de crédito que seriam falsos, gerando grande repercussão no mercado financeiro.
Acusações de Venda de CDBs Falsos
As investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master e seu então proprietário apontam para um esquema de emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs). Segundo as apurações, esses CDBs eram oferecidos com a promessa de remuneração muito acima das taxas praticadas pelo mercado, o que atraía muitos investidores.
No entanto, a denúncia é que os pagamentos prometidos não estavam sendo realizados, configurando uma suposta fraude. Essa prática, se comprovada, teria gerado grandes prejuízos aos clientes e abalado a confiança no mercado financeiro, reforçando a necessidade da intervenção do Banco Central e do processo de liquidação para proteger os credores.
