Merhulhe nos eventos que levaram ao afastamento do fundador da Apex Partners, Fernando Cinelli, às “inconsistências financeiras” e à busca por proteção judicial diante de uma dívida de quase R$ 1 bilhão.
A plataforma de investimentos Apex Partners, do Espírito Santo, enfrenta um momento de turbulência com o afastamento de seu fundador e presidente, Fernando Cinelli, e a revelação de “inconsistências financeiras” internas. A crise escalou para a Justiça, onde a companhia obteve uma liminar para proteger seu patrimônio.
O cenário é complexo e envolve acusações de “gestão temerária”, uma dívida que se aproxima de R$ 975 milhões e a necessidade de apresentar um pedido de recuperação judicial em breve. As repercussões já são sentidas no mercado, com o rompimento de contratos importantes.
Para entender a fundo essa situação que abala o setor financeiro capixaba, o g1 detalhou os principais pontos da crise, desde a apuração interna até as medidas legais e as reações do mercado, conforme informações divulgadas.
O Afastamento de Fernando Cinelli e as Acusações
A crise na Apex Partners teve seu estopim com a identificação de “inconsistências financeiras” em uma rigorosa apuração interna. Como resultado, Fernando Cinelli, fundador e presidente, foi imediatamente afastado do comando da companhia, juntamente com o diretor financeiro.
Os sócios da Apex Partners decidiram acionar Cinelli na Justiça, buscando responsabilizá-lo por “gestão temerária e má-fé”, além de solicitar o bloqueio preventivo de seus bens. Segundo informações do colunista Abdo Filho, os sócios apontam falta de transparência nos balanços e desconhecimento sobre o real tamanho da dívida da empresa.
Um dos fatores que precipitaram a investigação foi o investimento em ações da agência de viagens CVC. Um fundo da Apex adquiriu 15,5% das ações da CVC, que, em apenas seis meses, sofreram uma queda de quase 40%. Com a promessa de rendimento garantido aos investidores, o prejuízo gerou pressão e levou à apuração interna. Fernando Cinelli, que havia sido indicado para o conselho de administração da CVC, renunciou ao cargo no mesmo dia de seu afastamento da Apex.
A Blindagem Judicial e a Dívida Milionária
Em um movimento para proteger seu patrimônio, a Justiça concedeu uma liminar em favor das empresas que compõem a Apex Partners. A decisão, proferida pelo juiz Marcos Sanches, titular da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, suspende execuções e protege o patrimônio de 178 companhias envolvidas.
O montante total de dívidas alcança a impressionante cifra de R$ 975 milhões. O magistrado determinou que as empresas apresentem, em até 30 dias, o pedido de recuperação judicial, sob pena de perda da eficácia da medida cautelar. Além disso, foi nomeada uma administradora judicial para realizar uma perícia técnica em 20 dias.
A medida judicial tem como objetivo “assegurar a continuidade das atividades econômicas da plataforma e evitar o esgotamento de ativos antes de um possível pedido formal de recuperação judicial”, conforme a decisão. Essa proteção é crucial para a Apex Partners tentar se reestruturar financeiramente.
A Posição da Apex e a Defesa de Cinelli
A Apex Partners, em nota oficial, esclareceu que a medida obtida na Justiça se trata de uma “liminar cautelar” com caráter preventivo, e não de uma recuperação judicial. A empresa afirma que a ação visa “garantir o patrimônio da empresa, a continuidade das suas atividades regulares, criando um ambiente de estabilidade, enquanto são concluídos os trabalhos da auditoria externa em fase de contratação”.
A companhia enfatizou que a decisão judicial “não alcança os patrimônios segregados dos fundos de investimento, os patrimônios fiduciários vinculados às emissões de certificados de recebíveis nem os patrimônios de afetação das sociedades de propósito específico (SPEs), preservando integralmente os recursos de terceiros“. A Apex também destacou que os R$ 975 milhões mencionados são obrigações de longo prazo, não vencidas ou imediatas.
Por sua vez, a defesa de Fernando Cinelli informou, por meio de nota, que o empresário “está dedicado e comprometido a contribuir da melhor forma para a preservação da companhia, seus investidores e acionistas”. O comunicado ressalta a disposição de Cinelli em “esclarecer todas as questões levantadas com total transparência e idoneidade”, demonstrando sua postura em meio à crise na Apex Partners.
Repercussões no Mercado e Esclarecimentos Governamentais
A notícia da crise na Apex Partners gerou uma reação imediata no mercado financeiro. O BTG Pactual, um dos maiores bancos de investimentos do Brasil, rompeu o contrato de distribuição com a Apex e travou os saques de um fundo ligado à plataforma capixaba, evidenciando a instabilidade percebida.
Em resposta à preocupação pública, o Governo do Espírito Santo, por meio da Secretaria da Fazenda (Sefaz), emitiu um comunicado oficial. A Sefaz informou que não possui recursos públicos do Tesouro Estadual ou do Fundo Soberano (Funses) investidos na Apex Partners, buscando tranquilizar a população e o mercado sobre a segurança dos recursos estaduais.
A situação da Apex Partners segue em desenvolvimento, com a expectativa de novos capítulos à medida que a auditoria externa e o processo judicial avancem, buscando clareza e soluções para a complexa rede de “inconsistências financeiras” e dívidas que vieram à tona.
