A saúde mental no trabalho ganha um novo e importante reforço legal no Brasil. A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que entrou em vigor recentemente, estabelece novas responsabilidades para as empresas na prevenção de riscos psicossociais que podem levar ao adoecimento.
Esta medida surge em um momento crítico, com o Brasil registrando um número recorde de afastamentos por transtornos mentais em 2025, um dado alarmante que sublinha a urgência de ambientes de trabalho mais saudáveis e seguros.
Para auxiliar os trabalhadores a reconhecerem os sinais de um ambiente de trabalho tóxico e entenderem como agir, o g1, em parceria com a Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), preparou um quiz e detalha as mudanças, conforme informações divulgadas pelo próprio g1.
A NR-1 e a nova proteção à saúde mental do trabalhador
A atualização da NR-1, anunciada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em agosto de 2024, estava inicialmente prevista para valer em maio de 2025. Após pressões de sindicatos patronais e empresas, sua entrada em vigor foi adiada, mas o ministro Luiz Marinho reafirmou que não haverá novas prorrogações, reforçando o compromisso com a saúde dos trabalhadores.
A norma agora obriga as companhias a identificar e prevenir riscos psicossociais, que incluem situações como pressão excessiva, metas abusivas, jornadas de trabalho longas e o assédio moral. Especialistas concordam que a exposição contínua a essas condições está entre as principais causas de adoecimento mental e afastamentos.
Sinais de um ambiente de trabalho tóxico: como identificar os riscos
Para saber se você está em um ambiente de trabalho tóxico, é fundamental observar como são as reações do seu chefe a prazos não cumpridos, o que acontece ao não bater metas, a frequência de horas extras e se há cobranças indevidas ou gritos em público. Outro ponto é verificar se suas demandas excedem sua função e como é o reconhecimento por seu trabalho.
A Auditora-Fiscal do Trabalho, Viviane Forte, destaca que um local de trabalho tóxico pode ser identificado por fatores como metas excessivas, jornadas extensas, ausência de suporte, assédio moral, conflitos interpessoais, falta de autonomia e condições precárias de trabalho.
Thatiana Cappellano, pesquisadora sobre transtornos mentais, complementa que a intensificação da jornada, a pressão por metas e a precarização dos empregos são gatilhos para o adoecimento. Ela explica que muitas pessoas hoje precisam realizar o trabalho de várias, mas em uma única função, o que é insustentável a longo prazo.
O impacto da toxicidade: recorde de afastamentos por transtornos mentais
Os dados revelam um cenário preocupante: o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por saúde mental em 2025, batendo um recorde. Esse número expressivo reforça a necessidade urgente de medidas preventivas e de um olhar mais atento para as condições de trabalho.
Luana Carvalho, Diretora de Comunicação da ABRH, enfatiza a importância de encontrar um equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, além de priorizar os cuidados com a saúde mental. A nova NR-1 busca justamente criar um arcabouço para que as empresas contribuam ativamente para esse equilíbrio.
Como denunciar um ambiente de trabalho tóxico e buscar ajuda
Se você identificar que está em um ambiente de trabalho tóxico, existem diversos canais para denúncias trabalhistas que garantem o sigilo e a proteção do trabalhador. É possível acessar o Canal de Denúncias para Inspeção do Trabalho, uma plataforma online do Ministério do Trabalho.
Outras opções incluem o Fala.br, plataforma da Controladoria-Geral da União, e a Central Alô Trabalho, pelo número 158, disponível de segunda a sábado. As Superintendências Regionais do Trabalho também recebem denúncias, assim como o Ministério Público do Trabalho (MPT), que atua no combate ao assédio moral.
Para casos de violação de direitos humanos, incluindo assédio moral no trabalho, o Disque 100 é um serviço gratuito e disponível 24 horas. O denunciante não precisa se identificar, mas é fundamental fornecer o maior número de informações possível para que os órgãos competentes possam investigar e verificar a situação no local de trabalho.
