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Dario Durigan na Fazenda: Desafios da Inflação, Arcabouço Fiscal e Pressões Eleitorais Marcam a Nova Gestão

Dario Durigan assume Fazenda: entre a continuidade de Haddad, desafios fiscais e o impacto da guerra

Dario Durigan, ex-secretário-executivo e braço direito de Fernando Haddad, foi confirmado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o novo ministro da Fazenda. Sua nomeação, já esperada pelo mercado, não gerou grandes turbulências, indicando uma aposta na continuidade da agenda econômica.

Durigan, que já participou ativamente das discussões e implementações de políticas econômicas, enfrenta agora o desafio de liderar a pasta em um cenário complexo. Ele terá que lidar com a pressão inflacionária, especialmente a vinda da alta dos combustíveis, e a necessidade de controle dos gastos públicos em um ano eleitoral.

Especialistas ouvidos pelo g1 destacam que seu papel principal será o de priorizar as contas públicas e executar as diretrizes já estabelecidas, mantendo o legado de Haddad, principalmente na sustentação fiscal.

O Legado de Haddad e a Sustentação Fiscal

A chegada de Dario Durigan ao comando da Fazenda é vista como um movimento de continuidade. Conforme Erich Decat, analista político, Durigan participou ativamente da agenda econômica desde o início e, à frente do ministério, deve manter o legado de Haddad, principalmente na sustentação fiscal.

Com experiência na Advocacia-Geral da União (AGU) e no setor privado, Durigan esteve envolvido em medidas de aumento de arrecadação, como a elevação de impostos. Ele também participou da articulação da reforma tributária sobre o consumo e da renegociação da dívida dos estados, demonstrando seu conhecimento técnico.

Para Raphael Costa, administrador de empresas e especialista em gestão empresarial do Grupo 220, a prioridade para o novo ministro é a previsibilidade. O mercado não reage bem a mudanças abruptas, então o foco precisa estar na continuidade das diretrizes fiscais e na clareza da execução.

Costa enfatiza que, mais do que anunciar novas medidas, o momento pede reforço do compromisso com metas já definidas, especialmente no controle de gastos. Em cenários de curto prazo, a consistência costuma valer mais do que a inovação, um ponto crucial para a gestão de Dario Durigan.

Desafios do Arcabouço Fiscal e Limitações no Congresso

Um dos maiores desafios de Dario Durigan será assegurar o cumprimento das metas do arcabouço fiscal e evitar ruídos que possam afetar a confiança do mercado. O g1 já mostrou que o espaço para gastos livres dos ministérios será apertado neste ano, o que tende a levar a bloqueios de despesas.

Isso ocorre porque o arcabouço fiscal limita o crescimento real das despesas do governo em até 2,5% ao ano. Com os gastos obrigatórios crescendo acima desse ritmo, o espaço para investimentos e despesas discricionárias se torna cada vez menor, exigindo uma gestão rigorosa do novo ministro da Fazenda.

Além disso, há um desafio relevante no horizonte: o arcabouço fiscal tem mostrado sinais de esgotamento e há a possibilidade de uma discussão sobre um novo modelo a partir de 2027. Na avaliação de Decat, o modelo atual teve duração curta e dependeu fortemente de aumento de impostos.

Decat afirma que esse é um dos pontos mais frágeis do legado de Haddad, pois o debate eleitoral deve girar em torno de qual será o novo modelo fiscal a partir de 2027. Durigan deve participar dessas discussões, mas sem protagonismo, atuando na linha da continuidade, sem força política para liderar esse debate ou definir o novo desenho.

Apesar da experiência técnica, há dúvidas sobre o peso político de Durigan para conduzir agendas mais complexas. O analista Decat vê o ministro mais na linha da continuidade, sem muito espaço para liderar grandes reformas estruturais, o que pode dificultar negociações com o Congresso, especialmente em um ambiente mais fragmentado e próximo das eleições.

No curto prazo, a tramitação de pautas econômicas deve avançar lentamente. O calendário eleitoral tende a esvaziar o Congresso e reduzir o espaço para temas mais sensíveis. Entre os assuntos em andamento, a Proposta de Emendas à Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho, conhecida como PEC do 6×1, deve ter seu debate arrastado para após o período eleitoral.

Outro tema com baixa chance de avanço é o chamado “imposto do pecado”, que enfrenta resistência de setores econômicos e falta de consenso político. O Imposto Seletivo (IS), criado na reforma tributária, tem como objetivo desestimular o consumo de produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, com previsão de entrada em vigor em 2027.

A Pressão dos Combustíveis e o Cenário Externo

A alta do petróleo, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, é uma situação que testará a gestão de Dario Durigan. O governo avalia alternativas para conter o impacto nos preços, que podem elevar o custo do transporte e a inflação, prejudicando a campanha de reeleição do presidente Lula.

Na terça-feira (24), Durigan informou que o governo propôs um subsídio aos importadores de diesel para tentar segurar o preço nas bombas. A medida prevê o pagamento de R$ 1,20 por litro até o fim de maio, sendo metade bancada pela União e metade pelos estados, uma tentativa de mitigar o impacto do cenário externo.

Como cerca de 30% do diesel consumido no Brasil é importado, a alta internacional é rapidamente repassada às bombas, o que torna a intervenção governamental crucial. No entanto, a redução de impostos ou novos programas de incentivo dependem de articulação com os estados, o que torna o processo mais complexo para Dario Durigan.

Pressões Eleitorais e o Futuro da Gestão

Até o momento, a troca no comando da Fazenda não provocou turbulências, já que a expectativa é de continuidade. Para especialistas, o mercado entende que não há mudanças relevantes no curto prazo, conferindo a Dario Durigan um período inicial de relativa calma.

Ainda assim, há cautela em relação ao futuro. A partir de 2027, caso o atual governo seja reeleito, devem ganhar força dúvidas sobre a capacidade de Durigan de liderar uma agenda mais ampla, ou até mesmo se ele será o ministro escolhido para o próximo mandato.

Outro desafio será lidar com a pressão por medidas imediatas em ano eleitoral, o que pode entrar em conflito com a responsabilidade com as contas públicas. Raphael Costa avalia que, historicamente, isso ocorre em diferentes ciclos e não é exclusivo de um governo, sendo crucial como essas medidas são estruturadas.

Costa alerta que, se houver desalinhamento com a sustentabilidade fiscal, o mercado reage rapidamente. Por outro lado, quando há equilíbrio entre a agenda econômica e as demandas sociais, os efeitos podem ser administrados. O ponto-chave é entender até que ponto decisões de curto prazo comprometem o médio e o longo prazo da gestão de Dario Durigan.

Com perfil técnico e discreto, Dario Durigan assume a Fazenda como um nome de continuidade. No curto prazo, o desafio será manter a previsibilidade e atravessar o período eleitoral sem rupturas. Já no médio prazo, o cenário é mais incerto e dependerá tanto do ambiente político quanto das decisões que serão tomadas a partir de 2027.

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