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Guerra no Oriente Médio: Conflito entre Irã e EUA pode elevar preço da carne de frango no Brasil e preocupar avicultores paulistas

A escalada do conflito no Oriente Médio já pressiona custos da produção agrícola e gera incertezas para o mercado de carne de frango no Brasil, levando avicultores a buscar alternativas para exportação.

A escalada do conflito no Oriente Médio, envolvendo Irã e Estados Unidos, está gerando apreensão em diversos setores da economia global. Seus efeitos já começam a ser sentidos, ou pelo menos projetados, no mercado de alimentos.

No Brasil, a preocupação se volta para a carne de frango, um dos principais produtos de exportação e consumo interno. Há um temor real de que a instabilidade na região possa impactar os preços e a logística da produção.

Especialistas da USP, por meio do Cepea da Esalq-USP em Piracicaba (SP), já analisam os possíveis desdobramentos dessa crise para o mercado brasileiro de carne de frango, conforme informações divulgadas pelo g1.

Desafios na exportação da carne de frango brasileira

Avicultores estão avaliando a necessidade de realocar a carne de frango para outros mercados, dado o cenário de instabilidade. Isso ocorre porque os países do Oriente Médio, que são grandes compradores, adquirem sobretudo o frango inteiro do Brasil. A situação atual pode dificultar essas transações comerciais.

A logística de transporte e a segurança das rotas marítimas são grandes preocupações para o setor de carne de frango. Qualquer interrupção pode gerar atrasos significativos e custos adicionais, afetando diretamente a capacidade de exportação brasileira.

Aumento dos custos: milho e farelo de soja pressionam produção

Economistas alertam que o conflito entre Irã e Estados Unidos pode encarecer os alimentos para os consumidores brasileiros nos próximos meses. Isso se deve, em grande parte, ao aumento dos custos da produção agrícola, que já está sendo observado.

Em menos de uma semana de guerra, alguns desses custos já apresentaram alta. A instabilidade geopolítica impacta o preço do petróleo e, consequentemente, o transporte e os insumos agrícolas, elevando o custo final da carne de frango.

Poder de compra do avicultor em queda no estado de São Paulo

O cenário já era desafiador para os avicultores paulistas antes mesmo do conflito. Fevereiro de 2026 marcou o quarto mês consecutivo de retração no poder de compra do avicultor frente ao milho e ao farelo de soja, conforme análises do Cepea.

Os preços do frango vivo tiveram quedas significativas ao longo do período. Até o dia 25 de fevereiro, três dias antes do conflito, o preço do frango registrou o menor patamar real desde maio de 2024, na série de medições deflacionada pelo IGP-DI de janeiro deste ano.

No estado de São Paulo, dados do Cepea indicam que o valor do frango vivo registrou uma média de R$ 5,04 o quilo até 25 de fevereiro. Essa cifra representa uma queda de 2,1% em relação à média de janeiro, mostrando a pressão sobre a rentabilidade.

Enquanto os preços do frango caíam, os preços médios do milho permaneceram praticamente estáveis, e os do farelo de soja apresentaram um pequeno avanço. Essa disparidade agrava a situação, comprimindo as margens dos produtores de carne de frango no país.

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