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Crise Sem Precedentes no Washington Post: CEO Will Lewis Renuncia Após Demissões em Massa e Críticas Ferrenhas de Ex-Editor

A saída de Will Lewis, editor e CEO do renomado Washington Post, ocorre em meio a uma profunda turbulência, apenas três dias após o anúncio de cortes drásticos que impactaram um terço da equipe e levantaram sérias questões sobre o futuro da publicação.

A liderança do Washington Post enfrenta um momento de intensa instabilidade com a renúncia de seu editor e CEO, Will Lewis. A notícia, que abalou a redação, chega apenas três dias após o jornal anunciar uma onda de demissões que atingiu um terço de sua equipe, levantando preocupações sobre o futuro de uma das mais prestigiadas instituições jornalísticas dos Estados Unidos.

A saída de Lewis marca o fim de um período conturbado, caracterizado por reestruturações e controvérsias, que culminaram na eliminação de editorias importantes e na redução significativa de pessoal. A decisão do executivo, comunicada por e-mail aos funcionários, busca encerrar um capítulo desafiador na história recente do jornal.

Os eventos recentes amplificam o debate sobre a gestão e a direção editorial do Washington Post, especialmente sob a ótica de seu proprietário bilionário, Jeff Bezos. Conforme informações divulgadas pelo G1, a crise atual é vista por muitos como um sinal de alerta para a sustentabilidade e a integridade jornalística da publicação.

A Turbulência que Marcou a Gestão de Will Lewis

Will Lewis, nascido no Reino Unido, assumiu o comando do Washington Post em janeiro de 2024, vindo do The Wall Street Journal. Desde o início, sua gestão foi marcada por um cenário de turbulência, incluindo demissões e um plano de reorganização que não obteve sucesso, culminando na saída da então editora-chefe Sally Buzbee.

A escolha inicial de Lewis para substituir Buzbee, Robert Winnett, também desistiu do cargo após surgirem questionamentos éticos. As dúvidas envolviam ações de Winnett e Lewis quando ambos trabalhavam na Inglaterra, incluindo o pagamento por informações para grandes reportagens, uma prática considerada antiética no jornalismo americano.

Lewis também enfrentou dificuldades em conquistar a simpatia dos jornalistas do Post, adotando uma abordagem direta sobre o trabalho deles. Em uma reunião, ele chegou a afirmar que mudanças eram necessárias porque poucas pessoas estavam lendo as matérias, gerando desconforto na equipe.

Onda de Demissões e Impacto Profundo no Jornal

A decisão de Lewis de deixar o cargo foi anunciada no sábado, 7 de fevereiro, em um e-mail de dois parágrafos aos funcionários, onde ele afirmou que, após dois anos de transformação, “agora é o momento certo para eu me afastar”. O diretor financeiro do Post, Jeff D’Onofrio, foi nomeado editor-executivo interino.

As demissões em massa, anunciadas na quarta-feira, 4 de fevereiro, foram mais profundas do que o esperado. Elas resultaram no fechamento da renomada editoria de esportes do Post, na eliminação da equipe de fotografia e em fortes reduções no pessoal responsável pela cobertura de Washington metropolitana e do exterior.

Esses cortes se somam a uma saída generalizada de talentos nos últimos anos. O jornal perdeu dezenas de milhares de assinantes após uma ordem de Jeff Bezos, no fim da campanha presidencial de 2024, de recuar de um endosso planejado a Kamala Harris, além de uma posterior reorientação de sua seção de opinião em direção mais conservadora.

Martin Baron, primeiro editor do Post sob o comando de Bezos, condenou o antigo chefe nesta semana, acusando-o de tentar agradar o presidente Donald Trump. Baron classificou o que ocorreu no jornal como “um estudo de caso de destruição de marca quase instantânea e autoinfligida”, evidenciando a profundidade da crise.

Reações e o Futuro do Washington Post

Nem Lewis nem o bilionário dono do jornal, Jeff Bezos, estiveram presentes na reunião com funcionários que anunciou as demissões. Essa ausência gerou críticas e intensificou os pedidos para que Bezos aumente seus investimentos no jornal ou o venda a alguém que tenha um papel mais ativo na gestão.

Em sua nota de despedida, Lewis elogiou Bezos, afirmando: “A instituição não poderia ter tido um dono melhor”. Ele defendeu suas ações, dizendo: “Durante meu mandato, decisões difíceis foram tomadas para garantir o futuro sustentável do Post, para que ele possa, por muitos anos, publicar jornalismo de alta qualidade e apartidário para milhões de leitores todos os dias”.

Contudo, o Washington Post Guild, sindicato que representa os funcionários, expressou forte desaprovação, afirmando que a saída de Lewis “demorou a acontecer”. Em nota, o sindicato declarou: “Seu legado será a tentativa de destruição de uma grande instituição do jornalismo americano. Mas ainda dá tempo de salvar o Post. Jeff Bezos deve rescindir imediatamente essas demissões ou vender o jornal a alguém disposto a investir em seu futuro”.

Jeff Bezos, por sua vez, não mencionou Lewis em comunicado. Ele afirmou que D’Onofrio e sua equipe estão posicionados para levar o Post a “um próximo capítulo empolgante e próspero”, destacando a missão jornalística essencial do jornal e as oportunidades extraordinárias que se apresentam.

D’Onofrio, que chegou ao jornal em junho passado com experiência em empresas como Raptive, Google e Major League Baseball, enviou uma mensagem à equipe. Ele reconheceu o momento desafiador, mas expressou confiança: “Este é um momento desafiador para todas as organizações de mídia, e o Post infelizmente não é exceção. Não tenho dúvida de que faremos o mesmo, juntos”.

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