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“Febre do Ouro” Atinge Recorde Histórico de US$ 5.500: Economista Sérgio Vale Alerta para Economia Doente e Crise Sem Solução com Trump

A escalada do preço do metal precioso é comparada a uma “febre” que revela profundas infecções no sistema econômico global e desafios geopolíticos. Entenda as causas.

O preço do ouro superou, pela primeira vez na história, a marca de US$ 5.500, um patamar que acende um alerta sobre a saúde da economia global. A valorização recorde do metal precioso não é vista como um sinal de força, mas sim como um sintoma de desequilíbrios profundos e incertezas crescentes.

Especialistas apontam que essa escalada reflete uma busca por segurança em meio a um cenário de instabilidade política e fiscal, especialmente nos Estados Unidos. O ouro, tradicionalmente um ativo de refúgio, ganha valor quando a confiança nas moedas fiduciárias e nas instituições diminui.

A análise do economista Sérgio Vale, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP e economista-chefe da MB Associados, compara a alta do ouro a uma “reação de defesa do organismo diante de uma infecção no sistema econômico”, conforme divulgado pelo g1.

A “Febre do Ouro” como Sinal de Alerta

Sérgio Vale utiliza a metáfora da febre para descrever a atual valorização do ouro. “O ouro é como se fosse uma febre. E o que a gente precisa agora é identificar a causa dessa febre”, afirmou ele em entrevista ao podcast O Assunto do g1. Essa analogia sugere que o aumento no preço do metal não é um fenômeno isolado, mas uma resposta a problemas subjacentes graves.

O economista questiona a natureza dessa “infecção”, ponderando se é um vírus, uma bactéria, ou algo mais agressivo, e se os “remédios” econômicos existentes seriam eficazes. A preocupação é que o cenário atual seja mais complexo e resistente a soluções tradicionais, diferentemente de crises passadas.

A atual “febre do ouro”, segundo Vale, se distingue de episódios anteriores, como o dos anos 70. Naquela época, o problema tinha solução, exemplificada pela atuação de Paul Volcker, que implementou medidas que “curaram” a economia e fizeram a febre passar nos anos 80.

Crise Sem Remédio? O Cenário sob Donald Trump

A grande diferença do momento atual, na visão de Sérgio Vale, é a aparente falta de uma solução clara. “A febre do ouro agora, eu tenho a impressão que não tem remédio, que não tem antibiótico de última geração para solucionar essa crise nesse momento. Porque o agente causador infeccioso agressivo continua presente”, declarou o economista.

Essa percepção pessimista está ligada a uma desorganização profunda nas instituições americanas e a tensões geopolíticas sem precedentes. A segunda passagem de Donald Trump pela Casa Branca é apontada como um fator central para a instabilidade que impulsiona a busca por ativos seguros como o ouro.

Os ataques diretos à independência do Federal Reserve (Fed), os processos contra diretores do banco central americano e uma política fiscal mal desenhada, gerando grandes déficits, contribuem para um clima de incerteza política e institucional que alimenta a “febre do ouro”.

Fatores que Impulsionam a Valorização do Ouro

O disparo do preço do ouro é, portanto, um reflexo de uma combinação de elementos políticos e fiscais. A incerteza política e institucional nos EUA é um fator chave, com o governo Trump questionando a autonomia de instituições cruciais para a estabilidade econômica.

Além disso, a crise fiscal americana, marcada por déficits crescentes e dúvidas sobre a capacidade de ajuste do Congresso, abala a confiança dos investidores. A percepção de que a maior economia do mundo está em um caminho fiscal insustentável leva à busca por alternativas.

As tensões geopolíticas também exercem forte pressão sobre os mercados. Disputas comerciais com a China e ameaças erráticas contra aliados da OTAN, como a menção de tomar a Groenlândia, geram um ambiente de imprevisibilidade que favorece o refúgio no ouro.

O Impacto das Mudanças na Liderança do Fed

A nomeação de Kevin Warsh para comandar o Federal Reserve, em substituição a Jerome Powell, cujo mandato termina em maio, trouxe um breve alívio ao mercado. Warsh é visto como favorável a juros mais baixos, mas menos radical que outros nomes cogitados por Trump.

Apesar da indicação ainda precisar ser aprovada pelo Senado, a notícia foi bem recebida, resultando em um fortalecimento do dólar e uma queda de 3,7% no preço do ouro. Esse movimento demonstra a sensibilidade do mercado às expectativas sobre a política monetária americana e a estabilidade institucional.

No entanto, a volatilidade persiste, e a busca por segurança continua sendo uma tônica. A “febre do ouro”, embora tenha tido uma leve baixa momentânea, permanece como um sintoma de um sistema econômico global em busca de equilíbrio e confiança em meio a desafios complexos e sem precedentes.

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