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Ibovespa pode disparar em 2026: Entenda o otimismo da Faria Lima e os riscos ocultos que podem frustrar os planos de investidores

Cortes de juros no Brasil e EUA, forte investimento estrangeiro e o posicionamento do país como “porto seguro” impulsionam as expectativas para o Ibovespa, mas a imprevisibilidade de Trump e o cenário eleitoral trazem volatilidade.

O Ibovespa iniciou o ano de 2026 com uma forte aceleração, **renovando máximas históricas** e gerando grande entusiasmo no mercado financeiro da Faria Lima. Para analistas, essa não é uma empolgação passageira, mas sim a expectativa de um desempenho sólido nos próximos meses.

A aposta em um cenário de **cortes de juros** no Brasil e nos Estados Unidos, somada ao crescente **investimento estrangeiro**, sustenta essa visão otimista. Contudo, fatores como a **política externa de Donald Trump** e as incertezas das eleições brasileiras de outubro podem azedar os ânimos.

Entenda os principais vetores que podem impulsionar ou frear o índice da bolsa de valores brasileira em 2026, conforme informações divulgadas pelo g1.

Otimismo da Faria Lima: Juros e Investimento Estrangeiro Impulsionam o Ibovespa

Após uma valorização expressiva de quase 34% em 2025, o **Ibovespa** continua a atrair a atenção dos investidores. O principal índice da bolsa brasileira registrou sete recordes de fechamento apenas em janeiro, alcançando pela primeira vez a marca de 181.919 pontos e acumulando uma valorização de quase 13% no ano, e 45% em 12 meses.

Especialistas do mercado financeiro acreditam que o **Ibovespa** manterá seu fôlego ao longo de 2026, impulsionado por fatores econômicos cruciais. Entre eles, destacam-se os possíveis cortes de juros tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, movimentos que tendem a favorecer ativos de maior risco, como as ações negociadas em bolsa.

No Brasil, o Banco Central (BC) deve iniciar a redução da taxa Selic no primeiro trimestre, com projeções de queda de 2,75 pontos percentuais até o fim de 2026, passando de 15% para 12,25% ao ano. Nos EUA, o Federal Reserve (Fed) também deve manter a trajetória de cortes, diminuindo o rendimento das Treasuries, os títulos do governo americano.

Essa diminuição dos rendimentos nos EUA faz com que investidores busquem aplicações mais rentáveis em **mercados emergentes**, e o Brasil se destaca nesse cenário. “Juros mais baixos tornam outros ativos mais atrativos, como as ações. Esse é um lado importante da balança”, explica André Galhardo, economista-chefe da consultoria Análise Econômica.

Além disso, as ofensivas geopolíticas do ex-presidente americano Donald Trump têm gerado instabilidade em economias desenvolvidas, levando investidores a enxergar o Brasil como um **”porto seguro”**, com potencial de boa rentabilidade. O g1 já havia apontado que a bolsa brasileira é vista como relativamente barata e com alto potencial de retorno.

O investimento internacional tem sido um pilar fundamental para o mercado interno. Ricardo Peretti, estrategista da Santander Corretora, lembra que, em 2025, investidores não residentes aplicaram R$ 25,4 bilhões em compras líquidas na bolsa. “Em 2026, até 20 de janeiro, esses investidores já somam R$ 8,7 bilhões líquidos em compras de ações brasileiras.”

Peretti acrescenta que o investidor estrangeiro continua sendo o principal responsável pela valorização do mercado local nos últimos meses. Ele reforça que, se a rotação de recursos globais para mercados emergentes persistir, a probabilidade de o **Ibovespa** renovar máximas é grande.

Ameaças no Horizonte: Trump, Eleições e Riscos Fiscais Podem Azar o Ibovespa

Apesar do otimismo, a palavra-chave para o **Ibovespa** em 2026 deve ser **volatilidade**. Embora as projeções ainda apontem para um saldo positivo, as oscilações da bolsa podem ser intensas, principalmente devido ao **fator Trump** e ao calendário eleitoral brasileiro.

André Galhardo, da Análise Econômica, ressalta que investidores avaliam não apenas o potencial de valorização das empresas, mas também os **riscos no radar**. “Tudo isso pode afetar o ambiente de negócios e trazer problemas para algumas companhias. Esse é o outro lado da balança, com potencial de impacto negativo”, analisa.

Dyego Galdino, CEO da Global 360 Invest, complementa que a política comercial do republicano, com ameaças e aplicação de tarifas, pode gerar **pressão inflacionária global** e afetar os preços das commodities. “Os resultados das grandes empresas podem desacelerar, deixando o mercado dependente das expectativas em relação às empresas de tecnologia”, afirma.

Rafael Costa, fundador da Cash Wise Investimentos, lembra que a alta do **Ibovespa** em 2025 foi impulsionada exclusivamente por fatores externos. O Brasil, apesar do bom desempenho da bolsa, ainda enfrenta **problemas fiscais**, ou seja, dificuldades nas contas públicas. A preocupação com os cofres públicos, embora temporariamente ofuscada, permanece um desafio.

Por isso, Costa aponta que “alguns países tiveram resultados muito melhores do que o Brasil, como Polônia, Coreia do Sul e a própria Colômbia”, indicando que os riscos fiscais do país são um desafio significativo.

As eleições de 2026 terão um papel central na **volatilidade** da bolsa e do dólar. A oscilação do **Ibovespa** em dezembro de 2025, por exemplo, com o anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, fez o dólar disparar e a bolsa recuar mais de 4% em um único dia. Para o mercado, essa escolha dificultou a convergência para um candidato de centro-direita, aumentando a incerteza sobre ajustes fiscais.

Em janeiro, novas pesquisas eleitorais, que mostraram Flávio Bolsonaro em segundo lugar e a vantagem de Lula diminuindo em um eventual segundo turno, contribuíram para a queda do dólar e a alta do **Ibovespa**. Rafael Costa, da Cash Wise Investimentos, avalia que a **Faria Lima** não está preocupada com o nome do vencedor, mas com os rumos da economia no próximo governo.

“Porém, é difícil esperar mudanças econômicas do atual presidente. Então, a reeleição de Lula pode causar uma quebra de expectativa no mercado”, diz Costa. André Galhardo, da Análise Econômica, acredita que um ajuste nas contas públicas será necessário, independentemente do presidente eleito. “A Faria Lima tende a acreditar que uma reforma nas despesas é mais provável em governos de direita. Mas qualquer vencedor terá de adotar uma política de contenção de gastos, o que pode impactar positivamente o dólar e o mercado de ações no Brasil”, conclui.

Projeções para o Ibovespa: Até Onde Pode Ir?

Se o cenário positivo prevalecer, há espaço para que o principal índice da B3 ultrapasse, pela primeira vez, os 200 mil pontos, segundo as projeções mais animadoras do mercado. Analistas do Itaú BBA, por exemplo, avaliam que o **Ibovespa** pode encerrar o ano aos 185 mil pontos, com uma leitura mais otimista que o levaria a superar os 252 mil pontos.

A Santander Corretora, por sua vez, projeta que o índice alcance 195 mil pontos ao fim de 2026, com sucessivas renovações de recordes ao longo do ano. Rafael Costa, da Cash Wise Investimentos, destaca que o índice não deve avançar de forma linear, em razão da **volatilidade** do mercado.

“Onde o **Ibovespa** vai parar? Aos 180 mil, 200 mil, 250 mil pontos? Ninguém sabe. Mas, sim, há uma grande possibilidade de o mercado continuar avançando neste ano”, afirma Costa, reforçando a expectativa de um 2026 movimentado para a bolsa brasileira.

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