Trump eleva tarifas para 25% em produtos da Coreia do Sul, acusando quebra de acordo comercial histórico
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou recentemente uma significativa elevação nas tarifas sobre importações da Coreia do Sul, passando de 15% para 25%. A medida, que afeta setores vitais como o automotivo, madeireiro e farmacêutico, gerou imediatamente preocupação em Seul.
A justificativa para essa escalada tarifária é a acusação de que o Legislativo sul-coreano falhou em cumprir um acordo comercial bilateral firmado no ano anterior. Este movimento unilateral de Trump reacende debates sobre a política comercial e suas implicações globais.
A reação da Coreia do Sul foi de surpresa, com o gabinete presidencial afirmando não ter sido notificado oficialmente, conforme informações divulgadas pelo g1.
A Decisão de Trump e a Acusação de Descumprimento
O anúncio de Trump elevando as tarifas para 25% foi feito por meio de suas redes sociais, pegando de surpresa o governo sul-coreano. Em sua declaração, ele foi enfático ao culpar o Legislativo da Coreia do Sul pelo que considera uma falha na aprovação do acordo comercial.
“Como o Legislativo coreano não aprovou nosso histórico acordo comercial, o que é prerrogativa deles, estou, por meio deste, aumentando as tarifas sul-coreanas sobre automóveis, madeira, produtos farmacêuticos e todas as demais tarifas recíprocas de 15% para 25%”, escreveu Trump, detalhando a abrangência da medida.
Esta ação representa um revés nas relações comerciais entre os dois países, que vinham trabalhando na implementação de um pacto que visava reduzir as barreiras comerciais e fomentar investimentos mútuos.
A Reação de Seul e os Detalhes do Acordo Anterior
Poucas horas após a publicação de Trump, o gabinete presidencial da Coreia do Sul declarou que ainda não havia recebido qualquer notificação oficial sobre o aumento das tarifas sobre produtos da Coreia do Sul. Em resposta, um assessor presidencial sul-coreano agendou reuniões com os ministérios envolvidos para discutir as próximas ações.
O ministro da Indústria sul-coreano, Kim Jung-kwan, que está em viagem no Canadá, tem prevista uma visita aos EUA entre 28 e 31 de janeiro, onde deverá se encontrar com o secretário de Comércio, Howard Lutnick. A expectativa é que o tema das tarifas seja central nas discussões.
O acordo comercial anterior, firmado no ano passado, previa a redução das tarifas dos EUA sobre grande parte das exportações sul-coreanas para 15%. Além disso, a Coreia do Sul se comprometeu a um investimento planejado de US$ 350 bilhões em setores estratégicos dos EUA, com pagamentos escalonados de US$ 20 bilhões por ano.
Contexto e Implicações Econômicas da Medida
No entanto, a implementação do acordo enfrentou obstáculos. No início deste mês, o ministro das Finanças da Coreia do Sul expressou dúvidas de que o investimento de US$ 350 bilhões começaria no primeiro semestre de 2026, citando a fraqueza do won, a moeda local, como um fator preocupante. A instabilidade do won, que atingiu níveis vistos pela última vez na crise financeira de 2007 a 2009, tem gerado apreensão em Seul.
Donald Trump tem frequentemente utilizado as tarifas como uma ferramenta de pressão em sua política externa, uma abordagem que tem levantado preocupações entre economistas e está sendo testada em processos na Suprema Corte dos EUA. Essa estratégia gera volatilidade e incerteza nos mercados internacionais.
Josh Lipsky, diretor de economia internacional do Atlantic Council, interpretou a ação de Trump como um sinal de impaciência com o ritmo de implementação do acordo por parte de Seul. Ele alertou que os mercados estavam equivocados ao acreditar em um período de estabilidade tarifária em 2026, destacando que a volatilidade, por si só, acarreta um custo significativo para as economias.
