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China defende acordos com Canadá após Trump ameaçar tarifas de 100% e acusações de ‘porto de descarga’ para EVs chineses

Pequim reage às duras declarações do presidente americano, afirmando que sua nova parceria estratégica com Ottawa não mira terceiros e busca cooperação ganha-ganha, apesar da pressão por tarifas.

A China se manifestou nesta segunda-feira, dia 26 de agosto, para defender seus acordos comerciais e econômicos com o Canadá, após o presidente americano, Donald Trump, ameaçar impor “tarifas de 100%” sobre as importações canadenses para os Estados Unidos. A tensão surge de uma nova parceria estratégica entre China e Canadá, anunciada na última semana após a visita do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, a Pequim.

Trump expressou preocupação de que o Canadá possa se tornar um “porto de descarga” para a China enviar mercadorias para os EUA, caso o acordo seja finalizado. As declarações acenderam um alerta sobre a dinâmica do comércio global e as relações entre as três nações.

Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores da China reiterou que os acordos com o Canadá não têm como alvo nenhum terceiro país, buscando uma abordagem de cooperação em vez de confronto, conforme informações divulgadas pelo fonte_conteudo1.

Ameaça Americana e a Nova Parceria Estratégica

Neste sábado, dia 24 de agosto, Donald Trump alertou em sua plataforma Truth Social que, se Carney “pensa que vai transformar o Canadá em um ‘porto de descarga’ para a China enviar mercadorias e produtos para os Estados Unidos, está muito enganado”. Ele prosseguiu com a ameaça: “Se o Canadá fechar um acordo com a China, estará imediatamente sujeito a uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos canadenses que entrarem nos Estados Unidos”.

A nova parceria estratégica foi estabelecida após a primeira viagem de um líder canadense à China em oito anos. O objetivo principal do primeiro-ministro Mark Carney é reconstruir os laços com o segundo maior parceiro comercial de seu país, buscando afastar-se das tensões comerciais recentes.

O Posicionamento Chinês e a Visão de Cooperação

Diante da ameaça americana, a China deixou clara sua posição. “A China entende que os países devem conduzir suas relações uns com os outros com uma mentalidade de ganha-ganha, em vez de soma zero, e por meio da cooperação, e não do confronto”, disse o porta-voz do ministério, Guo Jiakun, durante uma coletiva de imprensa regular.

Essa declaração reforça que a China diz que acordos com Canadá são benéficos para ambas as partes, sem intenção de prejudicar outras nações. A postura chinesa busca desassociar a parceria de qualquer estratégia de triangulação comercial que possa impactar os Estados Unidos.

Detalhes do Acordo Comercial entre Canadá e China

Os acordos entre Canadá e China envolvem uma série de concessões mútuas. O Canadá espera que a China reduza as tarifas sobre suas sementes de canola até 1º de março, para uma taxa combinada de cerca de 15% dos atuais 84%. Além disso, o Canadá prevê que suas farinhas de canola, lagostas, caranguejos e ervilhas tenham as tarifas antidiscriminatórias removidas a partir de 1º de março.

Em contrapartida, o Canadá planeja permitir a entrada de quase 50 mil carros elétricos chineses em seu mercado com uma tarifa de 6,1%, bem abaixo da alíquota anterior de 100% imposta pelo ex-primeiro-ministro Justin Trudeau em 2024. A cota aumentaria gradualmente, chegando a cerca de 70.000 veículos em cinco anos.

Mark Carney justificou a medida afirmando que “para que o Canadá construa seu próprio setor competitivo de veículos elétricos, precisaremos aprender com parceiros inovadores, acessar suas cadeias de suprimentos e aumentar a demanda local”, distanciando-se da justificativa de proteção aos produtores nacionais.

Reconstrução de Laços e Reações Internas

Os acordos firmados deverão destravar cerca de US$ 3 bilhões em pedidos de exportação para agricultores, pescadores e processadores canadenses. Em retaliação às tarifas de Trudeau, a China havia imposto tarifas sobre mais de US$ 2,6 bilhões em produtos agrícolas e alimentícios canadenses em 2025.

Apesar da ameaça de Trump, houve momentos em que o próprio presidente americano expressou apoio a Carney, dizendo: “É isso que ele deveria estar fazendo. É bom que ele assine um acordo comercial. Se você conseguir um acordo com a China, deve fazer isso”. No entanto, a recente ameaça mostra uma mudança de tom.

Internamente, o acordo também gerou críticas. O primeiro-ministro Doug Ford, de Ontário, a principal província produtora de automóveis do Canadá, criticou a medida. “O governo federal está convidando uma enxurrada de veículos elétricos baratos fabricados na China sem nenhuma garantia real de investimentos iguais ou imediatos na economia, no setor automotivo ou na cadeia de suprimentos do Canadá”, publicou Ford no X.

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