Especialistas revelam como otimizar sua carteira com títulos prefixados e indexados à inflação, maximizando ganhos antes da esperada queda da taxa Selic.
A expectativa de que o Banco Central do Brasil (BC) inicie o ciclo de cortes de juros ainda no primeiro trimestre deste ano está gerando uma nova e significativa janela de oportunidade para os investidores. É o momento ideal para revisar e ajustar as carteiras de renda fixa, buscando otimizar os retornos em um cenário de juros decrescentes.
Com a taxa Selic atualmente em 15% ao ano, o mercado financeiro já projeta uma redução para 12,25% até o final do ano, conforme estimativas do Boletim Focus. Esta movimentação aguardada pelo mercado abre caminhos para estratégias de investimento mais eficazes, conforme informações divulgadas pelo g1.
Sete em cada dez bancos estimam uma redução da taxa Selic apenas em março, segundo a Febraban, mas a previsão de queda já movimenta o mercado. Entender como se antecipar aos cortes de juros é crucial para quem busca proteger e rentabilizar o patrimônio.
Corte à vista: a cautela do Banco Central e os riscos em jogo
O Banco Central tem mantido uma postura cautelosa na condução dos juros, e essa prudência é explicada por um conjunto de incertezas. Questões geopolíticas e riscos fiscais do governo brasileiro estão no radar, impactando as decisões sobre a taxa básica.
Rachel de Sá, estrategista de investimentos da XP, explica que “O cenário global desse ano começou um pouco conturbado, e algumas dessas questões podem afetar a avaliação de risco por parte do BC”. Um exemplo são as tensões no Oriente Médio, que podem elevar os preços do petróleo e, consequentemente, a inflação global e brasileira.
Outro ponto de atenção é a sequência de embates entre o governo americano e o Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA. O mercado observa com cautela a indicação para a liderança do Fed, que pode ocorrer ao fim do mandato do atual presidente, Jerome Powell.
No cenário doméstico, o possível aumento de gastos em ano eleitoral e as dúvidas sobre a futura gestão do Brasil também contribuem para a incerteza. “Por um lado, temos a perspectiva de enfraquecimento do dólar, por exemplo, o que pode ajudar a inflação. Mas também temos dúvidas sobre quais devem ser as reformas fiscais propostas pela nova gestão do Brasil”, acrescenta a estrategista da XP.
Apesar de todos esses fatores de cautela, o mercado financeiro mantém a estimativa de que o ciclo de cortes de juros começará ainda neste ano. O Boletim Focus, divulgado semanalmente pelo BC, projeta a Selic em 12,25% ao ano ao final de 2024, representando uma redução de 2,75 pontos percentuais em relação ao patamar atual.
Estratégias para antecipar a queda dos juros na sua carteira de investimentos
Este cenário de juros em queda cria um ambiente propício para que investidores diversifiquem suas carteiras de renda fixa. Um estudo da XP Investimentos, compartilhado com o g1, aponta que períodos de queda de juros são especialmente favoráveis para títulos prefixados e indexados à inflação (IPCA+).
Os títulos prefixados oferecem uma taxa de rendimento definida no momento da aplicação, garantindo ao investidor o valor a ser recebido no vencimento. Já os títulos indexados à inflação, como o IPCA+, rendem a inflação do período acrescida de uma taxa fixa, protegendo o poder de compra do capital.
Esses ativos tendem a superar o CDI (taxa de referência para a maioria dos investimentos de renda fixa no Brasil), não apenas durante a queda dos juros, mas também nos meses que antecedem o início do ciclo. O estudo, que analisou ciclos de queda desde 2005, mostrou que o retorno médio do índice de prefixados (IRF-M) foi de 13,3% no primeiro ano após o início do ciclo de cortes, enquanto o do CDI (IMA-S) foi de 10,7% no mesmo período.
Para cada 1 ponto percentual de queda na Selic, a estimativa é que os títulos atrelados à inflação de curto prazo tenham uma valorização adicional média de 0,40%, enquanto os prefixados podem subir 0,50% no mesmo mês. Essa é uma oportunidade clara para quem busca antecipar os cortes de juros e posicionar-se de forma vantajosa.
Rachel de Sá, da XP, reforça que este é o momento ideal para o investidor “rebalancear o mix de indexadores” da carteira, combinando ativos prefixados, atrelados à inflação e pós-fixados. “Isso não significa que o investidor precisa sair do CDI, que é um investimento que também tem o seu papel caso o ciclo de cortes seja menor e traz um pouco menos de volatilidade. O importante é entender que a diversificação de indexadores vai trazer um equilíbrio maior para a carteira”, comenta a estrategista.
Como estruturar sua carteira de investimentos de forma inteligente
Para o planejador financeiro certificado pela Planejar, Carlos Castro, a alocação estratégica de recursos é fundamental, independentemente do ciclo econômico. Ele sugere uma estratégia em três passos:
- Defina seu horizonte de tempo: Separe os objetivos de curto, médio e longo prazo para entender seu perfil de risco, seja ele conservador, moderado ou agressivo.
- Divida sua carteira: Com base no perfil de risco, determine a proporção entre renda fixa, renda variável, multimercados e alternativos.
- Escolha os produtos: Após a divisão, selecione os produtos financeiros específicos que irão compor cada classe de ativos.
Essa abordagem permite que o investidor não só se prepare para os cortes de juros, mas também construa uma carteira robusta e resiliente a diferentes cenários.
A importância da liquidez e da reserva de emergência
Os especialistas alertam para a necessidade de atenção ao horizonte de investimentos para evitar prejuízos por conta da marcação a mercado. Rafael Winalda, especialista de renda fixa do Inter, explica que a marcação a mercado é o preço calculado do investimento como se ele fosse vendido naquele dia, atualizado diariamente.
“O erro mais comum é não alinhar o horizonte do investimento à necessidade de liquidez. Investidores que aplicam em títulos longos (como IPCA+ 2035 ou 2045) sem ter a certeza de que podem manter o dinheiro investido até o vencimento podem ser obrigados a vender com prejuízo em momentos de necessidade”, alerta Winalda.
É crucial separar os investimentos estratégicos da carteira daqueles destinados à reserva de emergência, voltada para imprevistos. A reserva deve ser composta por ativos líquidos e conservadores, que possam ser acessados rapidamente sem perda de valor.
Para uma gestão eficaz, Winalda oferece dicas valiosas:
- Separe a reserva de emergência em ativos líquidos e conservadores.
- Invista em títulos longos apenas com recursos que comprovadamente não serão necessários no curto ou médio prazo.
- Diversifique os vencimentos, evitando concentração excessiva em um único prazo ou estratégia.
Ao seguir essas orientações, você estará mais preparado para antecipar aos cortes de juros e montar uma carteira de investimentos diversificada e segura, alinhada aos seus objetivos financeiros.
