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Dólar em Queda de 10% em 2025: Como as Políticas de Trump e as Decisões do Fed Redesenham o Cenário Econômico Global e Impactam o Brasil

Entenda os Fatores Globais e Nacionais que Impulsionaram a Desvalorização da Moeda Norte-Americana e as Perspectivas para 2026

O ano de 2025 marcou uma significativa desvalorização do dólar em escala global, com projeções indicando uma queda de até 10%. Não apenas o Brasil se beneficiou desse cenário, mas moedas de outras economias emergentes e avançadas, como o euro e o iene, também registraram valorização frente à divisa americana.

Essa tendência de dólar mais fraco é resultado de uma complexa interação de fatores, envolvendo as políticas comerciais e fiscais dos Estados Unidos e as decisões de política monetária do Federal Reserve, o banco central americano.

A seguir, exploramos em detalhes os principais elementos que contribuíram para a queda do dólar ao longo de 2025 e o que especialistas esperam para o futuro, conforme informações divulgadas pelo g1.

As Estratégias de Trump e a Desvalorização Global

A desvalorização global do dólar reflete, em grande parte, as políticas adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Após sua eleição, o mercado financeiro esperava uma agenda conservadora e protecionista mais agressiva, com aumento de tarifas e corte de impostos logo no início do mandato.

Contudo, essa expectativa não se confirmou de imediato. A moeda norte-americana, que iniciou 2025 cotada a R$ 6,16, perdeu força ao longo dos meses e acumulou uma desvalorização de 7,4% ao fim do primeiro trimestre, na comparação com o início de janeiro.

Em abril, após Trump anunciar uma série de tarifas de importação sobre parceiros comerciais, o dólar chegou a se valorizar por um curto período, mas o movimento não se sustentou. Segundo o analista de inteligência de mercado da StoneX, Leonel Mattos, “Trump começou o ano com mais cautela, promovendo mudanças graduais até o choque tarifário de abril. Isso acabou prejudicando a moeda norte-americana”.

Na prática, o aumento das tarifas não só prejudicou diretamente a balança comercial dos EUA, mas também ampliou a incerteza sobre os rumos da economia do país. Investidores passaram a rever suas posições em dólar, aumentando a pressão de venda e contribuindo para a desvalorização.

Mattos também destacou que o aumento das operações de proteção contra a variação do câmbio, conhecido como hedge cambial, impulsionado pelas incertezas, aprofundou a queda do dólar globalmente. O hedge cambial funciona como uma proteção, fixando a taxa de câmbio em contratos para empresas e investidores.

O Federal Reserve e a Política de Juros

A possibilidade de queda da taxa de juros nos Estados Unidos também se tornou um tema central no mercado financeiro em 2025. No início do ano, a expectativa era que o Federal Reserve (Fed) promovesse cortes em ritmo e intensidade maiores. No entanto, a primeira redução das taxas em 2025, de 0,25 ponto percentual, ocorreu apenas em setembro.

De acordo com o especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini, vários fatores influenciaram essa decisão do Fed. “Tivemos muita incerteza em relação às políticas do Executivo, além de uma pressão econômica vinda principalmente do mercado de trabalho”, explica.

Um mercado de trabalho aquecido pode gerar mais dinheiro em circulação e maior risco de pressão nos preços. Esse receio, de que uma inflação elevada manteria os juros altos nos EUA por mais tempo, foi se dissipando ao longo do segundo semestre.

Até o momento, o Fed cortou os juros americanos três vezes, reduzindo a taxa da faixa de 4,25% a 4,50% ao ano para 3,50% a 3,75% ao ano, o menor nível desde setembro de 2022. Juros menores nos EUA diminuem o rendimento das Treasuries, os títulos do governo americano, incentivando investidores a buscar aplicações mais rentáveis em mercados emergentes, como o Brasil.

O Real Forte: Fatores Internos no Brasil

No Brasil, a valorização do real frente ao dólar foi impulsionada por fatores internos robustos. A taxa básica de juros em nível elevado e uma percepção menos alarmista sobre as contas públicas do país foram cruciais para a queda do dólar por aqui.

Os juros brasileiros estão no maior patamar em 20 anos, o que atrai investidores estrangeiros em busca de ativos com melhores retornos. “O Brasil tem uma das maiores taxas de juros reais [descontada a inflação] do mundo. E isso atrai recursos, ou não deixa sair”, explica o diretor de tesouraria do Banco Travelex, Marcos Weigt.

Especialistas também destacam o compromisso do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, com o objetivo de trazer a inflação para o centro da meta de 3%, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Havia receio de que o novo chefe do BC pudesse ceder a pressões para reduzir os juros antes do momento adequado, mas “O Galípolo está seguindo bem as metas de inflação e está até sendo mais duro do que o mercado imaginava”, diz Weigt.

Quanto às contas públicas, a percepção inicial de preocupação intensa em 2025 deu lugar a uma visão mais estável. “Embora não se possa falar que houve uma grande mudança em 2025, o governo pelo menos tentou ser um pouco mais consistente”, explica Mattos. A melhora da previsão de arrecadação e a redução das estimativas para a despesa total e a inflação, apontadas pelo Prisma Fiscal de novembro, reforçaram essa percepção.

O Que Esperar para o Futuro do Dólar?

A expectativa geral dos analistas é de que fatores internos e externos continuem a influenciar a taxa de câmbio em 2026. No cenário internacional, permanece a incerteza sobre o ritmo da economia americana e seus efeitos sobre os juros, mesmo após Trump ter suavizado seu ímpeto com o tarifaço.

“Já faz bastante tempo que vemos uma desaceleração gradativa da atividade, mas ainda não sabemos o quão resiliente está a inflação e o quão fraco está o mercado de trabalho para impulsionar um pouco mais o corte de juros por lá”, diz Mattos.

Outro ponto relevante é o fim do mandato do atual presidente do Fed, Jerome Powell, previsto para maio de 2026. A expectativa é de que Trump anuncie um novo nome até o início do próximo ano. “Acredito que o banco central norte-americano continuará independente, mas é fato que a escolha de um novo nome para o Fed traz uma pressão adicional”, diz Weigt, do Banco Travelex.

No Brasil, além da perspectiva de início do ciclo de cortes de juros pelo Banco Central, o ano eleitoral de 2026 volta a concentrar a atenção dos investidores. “O mercado está ignorando a situação fiscal por enquanto, mas no ano que vem isso deve pesar mais nos preços, porque os investidores vão querer saber se o governo eleito estará alinhado com a agenda de superávit e estabilização da dívida pública”, alerta Shahini.

Weigt, do Travelex, acredita que a discussão sobre os juros nos EUA seja mais relevante até março do ano que vem. “A partir de abril, o que deve dar o tom para o dólar e o real será a eleição e a expectativa de gastos do governo em 2026 e 2027.”

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