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Versão oral do Ozempic fracassa em ensaios para Alzheimer, derruba ações da Novo Nordisk e elimina chance de receita de até US$ 5 bilhões por ano

Estudos com semaglutida não retardaram declínio cognitivo em mais de 3.500 pacientes, ações caem até 12,4%, empresa interrompe extensão de um ano e investidores perdem esperança

A versão em comprimido do Ozempic, desenvolvida pela Novo Nordisk, não conseguiu demonstrar desaceleração na progressão da doença de Alzheimer em dois ensaios clínicos de alto risco.

Os testes acompanharam mais de 3.500 pessoas com Alzheimer leve e, segundo a farmacêutica, os pacientes que tomaram o medicamento não apresentaram redução no declínio cognitivo avaliado nas escalas usadas pelos estudos.

Com isso, a empresa decidiu interromper a extensão planejada de um ano dos estudos, e as ações da companhia despencaram nos mercados, em reação imediata à notícia, conforme informação divulgada pela Bloomberg.

Resultados dos estudos e dados-chave

A Novo Nordisk decidiu interromper a extensão planejada de um ano dos estudos, depois de concluir que o tratamento não retardou a progressão da doença com base nas avaliações cognitivas realizadas.

Os dois ensaios clínicos acompanharam mais de 3.500 pessoas com Alzheimer leve, um universo que buscava detectar diferenças mesmo pequenas na evolução cognitiva.

Antes da divulgação, Analistas do Morgan Stanley estimavam cerca de 75% de probabilidade de falha antes da divulgação dos resultados, mas havia esperança de que algum sinal positivo pudesse surgir em subgrupos ou medidas secundárias.

Na prática, a farmacêutica não relatou nenhum benefício tangível nem apontou sinais de diferenciação em populações específicas, o que agrava a decepção do mercado.

Reação do mercado e impacto financeiro

Com a notícia, as ações da empresa despencaram até 12,4% em Copenhague, atingindo o menor nível desde julho de 2021, refletindo a perda de uma das últimas esperanças de recuperação a curto prazo para a companhia.

O fracasso elimina uma potencial fonte de receita significativa, já que “O sucesso poderia gerar até US$ 5 bilhões em receita anual adicional, segundo analistas do Morgan Stanley”, estimativa que agora perde peso para investidores.

Analistas e gestores lembram que a Novo Nordisk já vinha sofrendo no ano, com o valor de mercado reduzido em mais da metade diante do avanço da concorrência no mercado de obesidade.

A queda das ações da própria Novo Nordisk também afetou rivais, e papéis de empresas relacionadas apresentaram oscilações no mesmo dia de pregão.

O que especialistas disseram sobre a falha

Para observadores do setor, a dificuldade de tratar o Alzheimer em estágios clínicos avançados torna improvável que um efeito pequeno sobre processos bioquímicos reverta perdas já instaladas nas redes neurais.

“Este é um tema recorrente na terapêutica da doença de Alzheimer”, disse Ivan Koychev, professor associado de neuropsiquiatria do Imperial College London, apontando que impedir novo dano nem sempre restaura funções já perdidas.

Do lado dos mercados, houve comentários sobre a frustração dos investidores. “Era um bilhete premiado que poderia ter gerado muito dinheiro”, disse Per Hansen, economista de investimentos da Nordnet, resumindo a sensação de quem via no programa uma chance de recuperação estratégica para a empresa.

Nem mesmo a divulgação de efeitos fisiológicos secundários que chegaram a melhorar alguns marcadores relacionados ao Alzheimer foi capaz de contrabalançar a ausência de impacto clínico sobre o declínio cognitivo, segundo a própria farmacêutica.

Contexto corporativo e próximos passos

A Novo Nordisk defendia que explorar o potencial da semaglutida era uma responsabilidade, iniciativa alinhada à busca por novas indicações para moléculas já conhecidas.

“Sentimos que tínhamos a responsabilidade de explorar o potencial da semaglutida”, afirmou Martin Holst Lange, diretor científico da empresa.

A companhia, que também atua fortemente no mercado de tratamentos para obesidade, enfrenta agora a necessidade de reavaliar prioridades, planos de pesquisa e as comunicações ao mercado, enquanto tenta recuperar competitividade em um segmento cada vez mais disputado.

Especialistas lembram que há estudos observacionais indicando menor risco de demência entre pessoas que usaram agonistas de GLP-1 por longos períodos, mas traduzir essa associação em benefício terapêutico comprovado em pacientes com Alzheimer estabelecido continua sendo um desafio.

Com os resultados negativos, a atenção volta a como a empresa vai ajustar sua estratégia, quais linhas de pesquisa serão mantidas e qual será a reação dos investidores a médio prazo, enquanto o campo de terapias para Alzheimer segue difícil e altamente competitivo.

As ações da Lilly, cujos medicamentos concorrentes atuam de forma semelhante, também caíram nas negociações antes da abertura das bolsas americanas, enquanto outras empresas, como a Biogen, registraram alta nos papéis, refletindo movimentos setoriais diante do anúncio.

O fracasso dos ensaios reduz, por ora, a expectativa de que a versão oral do Ozempic pudesse se tornar uma solução transformadora para a doença de Alzheimer, e abre novo capítulo nas decisões estratégicas da Novo Nordisk e na dinâmica do mercado farmacêutico global.

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