Patria investe na Solis para acelerar originação de crédito por meio de Fidcs, aproveitar sinergias do ecossistema e explorar demanda por financiamento pulverizado no Brasil
A gestora Patria anunciou a compra de 51% da Solis, casa especializada em Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, em operação que dá opção de compra do restante nos próximos três anos.
O movimento marca a entrada do Patria no mercado de Fidcs, segmento que cresceu de forma acelerada nos últimos anos e é visto pela gestora como uma fonte importante para ampliar oferta de crédito a empresas e pessoas.
A operação também busca combinar a capacidade de captação do Patria com a originação de crédito em escala da Solis, conforme informação divulgada pela Reuters.
Detalhes da operação e governança
Na transação, cujo valor não foi divulgado, o Patria ficou com 51% da Solis e recebeu uma opção para comprar o restante da participação nos próximos três anos, informou a Reuters.
Segundo José Augusto Teixeira, sócio e diretor do Patria, “Eles (Solis) têm uma base de ativos grande, são uma das líderes no segmento, então, sim, é uma quantia importante”, sem revelar detalhes financeiros do acordo.
Os fundadores e administradores da Solis, Ricardo Binelli e Delano Macêdo, permanecerão com independência na gestão do negócio. “A gente foi atraído pelo que eles construíram e pela maneira como eles fizeram, e queremos manter isso”, disse Teixeira, conforme a Reuters.
Por que Fidcs e o que o Patria busca
O Patria já administra várias classes de ativos, como private equity, infraestrutura, capital de risco, crédito e imóveis, e tem relacionamento com pequenas e médias empresas que demandam financiamento.
Com a aquisição, a intenção é “incorporar sua plataforma que é forte em captação local e internacional de recursos com outra plataforma que tem capacidade de originação de crédito em qualidade e em escala e que pode ser potencializada pelo nosso ecossistema”, afirmou Teixeira, segundo a Reuters.
Um dos focos do Patria são os fundos multisacados, que reúnem diversos devedores e múltiplos cedentes, pois ajudam a pulverizar risco, e podem atender uma demanda por crédito considerada ‘engargalada’ no Brasil, citou Teixeira.
Números do mercado e projeções
A Solis tinha R$ 20 bilhões em ativos sob gestão em 2024 e mira R$ 29 bilhões neste ano, dados citados pela Reuters.
O mercado de Fidcs no Brasil está em torno de quase R$ 800 bilhões, salto ante os R$ 200 bilhões de quatro anos atrás, e o que foi chamado de mercado brasileiro “fidicável”, que poderia gerar crédito por meio de Fidcs, está estimado em mais de R$ 4 trilhões, segundo informações trazidas pela Reuters.
O Patria administra atualmente mais de US$ 50 bilhões sob gestão, e a aquisição da Solis abre “mais oportunidades de geração de crédito dentro do ecossistema”, comentou Teixeira à Reuters.
Produtos, clientes e próximos passos
A Solis tem experiência em fundos multisacados, consignado público e privado e “em algumas operações de cunho imobiliário”, incluindo loteamentos, segundo a Reuters.
Ricardo Binelli ressaltou com humor que “Todo crédito é fidicável”, e citou exemplos concretos de Fidcs montados para atender times de futebol, consórcios e financiamento de painéis solares, conforme reportado pela Reuters.
O fundo mais antigo da Solis está perto de completar 14 anos, e a gestora possui cerca de 30 mil cotistas em seus fundos, dados mencionados pela Reuters.
Após a operação, Macêdo disse que um dos objetivos é avaliar o ecossistema do Patria “para extrair valor para todo mundo… Já temos hoje um conjunto de projetos robusto”, afirmou, de acordo com a Reuters.
O negócio reúne a captação do Patria com a capacidade de originação da Solis, com foco em ampliar crédito por meio de Fidcs, especialmente fundos multisacados, consignado e operações imobiliárias, e monitorar como essa junção poderá ampliar a oferta de financiamento no país.
