Projeções mostram que os juros elevados tendem a persistir em 2026, por causa do calendário eleitoral, da fragilidade fiscal e de um eleitor preocupado com segurança, transporte e custo de vida
O cenário econômico e eleitoral de 2026 deve ser marcado por **juros elevados**, incerteza fiscal e uma disputa centrada em um eleitorato sensível às questões do cotidiano.
Analistas ouvidos em evento da XP apontam que o Banco Central terá pouco espaço para cortes expressivos na taxa básica, e que a polarização política concentra a atenção em um campo pequeno e decisivo.
Conforme informação divulgada pelo g1.
O que disseram os analistas
No debate realizado no XP Anual Meeting, no Grand Hyatt São Paulo, em 27/11/2025, o economista-chefe da XP Asset, Fernando Genta, e o cientista político Thomas Traumann traçaram o quadro que deve dominar o próximo ano.
Genta avalia que, independentemente do momento em que o Banco Central decida iniciar um novo ciclo de afrouxamento monetário, 2026 não deve abrir margem para grandes reduções da taxa básica, porque o **calendário eleitoral** e a **fragilidade fiscal** limitam a política monetária.
Traumann ressaltou a força da polarização, afirmando, “Temos um país tão polarizado que impede a existência de um terceiro candidato competitivo”, e descreveu o eleitorado como um campo estreito e volátil.
Por que o corte dos juros será limitado
Segundo Genta, as expectativas ligadas ao calendário eleitoral e às dúvidas sobre o ajuste fiscal reduzem o espaço para movimentos amplos da política monetária.
Em suas palavras, “Dadas todas as expectativas do calendário eleitoral e tudo o que se espera do fiscal, não vai ter espaço para um grande corte”, e “Estamos naquele ponto de dúvida sobre a capacidade do governo de avançar nos ajustes necessários”.
Isso significa que a tendência por **juros elevados** em 2026 decorre tanto da necessidade de ancoragem das expectativas quanto da cautela diante da incerteza fiscal.
Quem é o eleitor decisivo e como ele define a disputa
Traumann identifica o eleitor que pode decidir a eleição como majoritariamente formado por mulheres, chefes de família, entre 35 e 40 anos, nas grandes cidades do Sudeste, vivendo a insegurança no dia a dia, o transporte precário, preocupações com a escola dos filhos e o aperto financeiro.
Para explicar o comportamento desse segmento, ele recorre ao conceito da “política da dor”, que refere àquilo que afeta diretamente a vida cotidiana das pessoas, e alerta que é esse sentimento que pode definir o resultado eleitoral.
Ele pontua que “Cerca de 45% votam em Lula; outros 45% votam contra Lula. O resto é um campo muito estreito e volátil”, e que, por isso, “É uma eleição decidida por 2%”.
Traumann acrescenta que, se o bolsonarismo mais duro for neutralizado e houver uma aliança que vá até o PSD, “a oposição entra favorita”, mostrando como pequenas fissuras no eleitorado podem alterar o resultado.
Cenário internacional, implicações e riscos
O pano de fundo descrito por Traumann inclui um movimento global de alternância política motivado por insatisfação, com exemplos no Uruguai, Chile, Argentina e Estados Unidos.
“O mundo inteiro está alternando de posições políticas”, afirmou ele, destacando que existe uma sensação de inconformismo que favorece narrativas de mudança, o que pode amplificar volatilidade doméstica no Brasil.
Na prática, isso significa que o ambiente para 2026 combina **juros elevados**, incerteza fiscal, e uma disputa eleitoral polarizada, com atenção concentrada no eleitor que vive as dores do dia a dia, fatores que juntos moldarão decisões de política econômica e estratégias eleitorais.
