Mercados observam o IPCA-15 como prévia da inflação oficial, a sanção da isenção do IR por Lula, o Livro Bege e sinais do Fed que podem redefinir expectativas sobre juros
Os investidores iniciam a quarta-feira com atenção voltada ao IPCA-15, visto como uma prévia da inflação oficial e capaz de afetar diretamente a curva de juros e o humor da Bolsa.
Em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai sancionar às 10h30 a lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda Pessoa Física para quem ganha até R$ 5 mil por mês, um movimento com impacto econômico e político.
Além disso, o mercado segue os relatos sobre o Livro Bege do Fed, expectativas de corte de juros nos EUA e decisões judiciais de grande repercussão, conforme informação divulgada pelo g1
IPCA-15 e influência direta na curva de juros
O IPCA-15 é acompanhado como termômetro para a inflação de novembro, e leituras acima do esperado podem pressionar a curva de juros para cima, enquanto números mais baixos reforçam a expectativa de acomodação.
A reação da Bolsa e do mercado de juros dependerá da magnitude do dado, já que investidores procuram sinais sobre a necessidade de aperto adicional ou de manutenção do discurso mais brando do Banco Central.
Sanção da isenção do IR por Lula, efeitos fiscais e eleitorais
A sanção da lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil por mês deve ser assinada pelo presidente Lula no início da manhã, conforme a programação divulgada pela Presidência.
Analistas avaliam que a medida tem efeito direto na renda disponível de trabalhadores e pode ter impacto eleitoral, ao mesmo tempo em que levanta dúvidas sobre o custo fiscal e a necessidade de compensações no Orçamento.
Livro Bege, Fed e projeções de queda de juros
Os investidores também aguardam o Livro Bege do Federal Reserve e outros indicadores americanos, depois que fontes apontaram que os mercados já atribuem cerca de 85% de probabilidade a um corte de 0,25 ponto percentual pelo Federal Reserve (Fed) em dezembro.
Além disso, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que há uma “chance muito boa” de Donald Trump nomear um novo presidente do Fed antes do Natal, com Kevin Hassett apontado como favorito, cenário que reforça apostas por juros mais baixos nos Estados Unidos, conforme relatos da imprensa internacional.
Risco político, decisões judiciais e impacto doméstico
O noticiário político também segue pesando sobre o humor do mercado, incluindo a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que “determinou nesta terça-feira que o ex-presidente Jair Bolsonaro comece a cumprir a pena de 27 anos e 3 meses de prisão” pela condenação por tentativa de golpe de Estado e outros crimes, conforme apurado pela imprensa.
Analistas ouvidos relataram que esse conjunto de notícias, entre medidas econômicas e decisões judiciais, cria um cenário de incerteza e realinhamento político que pode influenciar fluxos para a Bolsa e a volatilidade cambial nos próximos dias.
Por fim, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, “A meta não é a banda superior. A banda foi feita para que, dado que (a inflação) oferece flutuações… criou-se um ‘buffer’ para amortecer eventuais flutuações. Mas de maneira nenhuma a meta é de 4,5%”, e reforçou, “Tenho que perseguir uma meta de inflação de 3%”.
Com dados do IPCA-15 e sinalizações do Livro Bege no radar, investidores terão na quarta-feira uma mistura de números e eventos políticos que podem determinar a direção dos juros, da Bolsa e das expectativas eleitorais.
