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Investidores buscam a próxima Argentina, Trump molda apostas, e Brasil fica no radar de fundos antes das eleições no Chile, Colômbia e Brasil

Investidores avaliam como uma onda de direita alinhada a Trump pode impulsionar ativos e criar oportunidades no Brasil, Chile e Colômbia

Gestores de fundos de mercados emergentes intensificaram a busca por países que possam replicar a valorização vista na Argentina após a eleição de Javier Milei.

A aposta é que uma guinada política de direita, percebida como alinhada ao presidente americano Donald Trump, gere ganhos em títulos e moedas de determinados países da região.

Fundos já movimentaram posições em países como Chile, El Salvador e Equador, enquanto monitoram cenários eleitorais no Brasil, Chile e Colômbia, conforme informação divulgada pela Bloomberg.

Por que a Argentina virou estudo de caso

A vitória de Milei serviu como um exemplo de como mudanças políticas de direita, com apoio dos EUA, podem desatar valorização de ativos locais.

Segundo os dados citados pela Bloomberg, títulos em dólar desses três países renderam aos investidores ganhos de pelo menos 24% desde a eleição de Trump no ano passado, segundo dados compilados pela Bloomberg, e isso se compara a um retorno de 13% para um índice de referência da dívida soberana de países em desenvolvimento.

O gestor Pramol Dhawan comentou, “Estamos diante de uma potencial mudança de tendência para a direita na América Latina”, apontando para ganhos relevantes em mercados onde houve resultados pró-mercado.

O fundo Zaftra, especializado em apostas eleitorais, “registrou seu melhor mês da história em outubro, com ganho de 9,2% após taxas”, aproveitando a conjuntura política regional, segundo a reportagem.

O papel de Trump nas apostas e cases específicos

Gestores avaliam que a administração Trump pode ver o hemisfério ocidental como espaço de atuação preferencial, influenciando decisões de investimento.

Petar Atanasov afirmou que “A forma como a administração Trump vê o hemisfério ocidental é como seu quintal, com os EUA não apenas tendo o direito, mas a obrigação de intervir, particularmente quando se trata de contrariar a influência da China em países com forte presença da mineração, como o Chile”, destacando a sensibilidade dos mercados a mudanças nas relações exteriores dos EUA.

Atanasov acrescentou que “Acreditamos que o Chile precisa recuperar o atraso no mercado cambial”, e avaliou ainda que, em relação à Venezuela, “A probabilidade de mudança de regime aumentou muito, passamos de nenhuma esperança de mudança para algo próximo de 50,50”, cenário que impulsionou títulos vencidos do país.

O que os gestores de fundos estão fazendo

Investidores criaram posições em moedas e títulos de países que consideram mais alinhados a uma agenda prómercado, como o peso chileno e dívidas de El Salvador e Equador.

Segundo a reportagem, esses ativos superaram pares em mercados emergentes, e gestores como Felipe Sze relataram posições antes de turnos eleitorais, buscando capturar movimentos de alta.

Graham Stock observou que “Onde esperamos mudanças, é porque o eleitorado está frustrado com os atuais governos”, citando o clima político no Chile e na Colômbia como exemplo de frustração com administrações de esquerda.

Riscos e limites dessa estratégia

Apesar dos ganhos, analistas lembram que proximidade com Washington nem sempre se traduz em benefícios automáticos, e fatores como reestruturações de dívida, acordos com o FMI e preços das commodities também afetam os retornos.

Os gestores alertam para a volatilidade eleitoral e para o fato de que apostas direcionadas podem gerar perdas se resultados divergirem do esperado.

Em suma, investidores monitoram a região em busca da “próxima Argentina”, com atenção especial a como o fator Trump pode reconfigurar riscos e oportunidades para o Brasil, Chile e Colômbia, conforme reportagem da Bloomberg.

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