Com participação via fundos pessoais, o Grupo Muffato sinaliza apoio ao Assaí sem intenção de controle, pautando debate sobre desalavancagem, competição e governança em ASAI3
A entrada dos irmãos Muffato no capital do Assaí reacende dúvidas sobre estratégia, concorrência e valor das ações, sem, contudo, indicar mudança automática no controle da companhia.
A participação foi feita por meio de dois fundos, e os investidores afirmaram que se trata de aportes pessoais, com submissão ao CADE e sem intenção de alterar a gestão, segundo comunicado divulgado pela empresa.
Os dados, a história do Grupo Muffato e as visões dos bancos formam um conjunto que, por ora, mantém a leitura neutra para ASAI3, embora traga sinais relevantes para investidores. conforme informação divulgada pelo InfoMoney, por Lara Rizério.
O que é o Grupo Muffato
Fundado em 1974 no Paraná, o Grupo Muffato ocupa a sexta posição entre os maiores varejistas de alimentos do Brasil, com faturamento de R$ 17,4 bilhões em 2024, segundo o ranking ABRAS 2025. A empresa representa cerca de 1,6% do mercado brasileiro de varejo de alimentos, que totaliza R$ 1,1 trilhão.
O grupo opera 120 lojas (69 no formato atacado e 51 no varejo), possui 3 centros de distribuição no Paraná e um ecossistema com serviços financeiros, distribuição atacadista, delivery, postos de gasolina, universidade corporativa, galerias comerciais e logística. A bandeira de atacado, Max Atacadista, oferece açougue e padaria, além de marcas próprias como Vida Pet e Onlux.
Como foi a compra e quais são as restrições
Os irmãos Ederson e Everton Muffato adquiriram uma participação de aproximadamente 10,3% do Assaí por meio dos fundos Snapper Rocks e WHG Apache, dos quais são os únicos acionistas. O comunicado esclareceu que são investimentos pessoais, sem intenção de alterar a estrutura de controle ou a gestão, e que a operação será submetida à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, CADE.
Além disso, os estatutos do Assaí limitam a participação de concorrentes no Conselho de Administração e preveem uma cláusula de defesa contra aquisições hostis que seria acionada com uma participação de 25%, exigindo um prêmio de 25% sobre o preço médio das ações ASAI3 durante os 120 dias anteriores à oferta pública de aquisição.
Reação do mercado e avaliação dos bancos
As interpretações locais divergem sobre os próximos passos, com reportagens apontando, ora para ausência de intenção de controle, ora para a contratação de consultores financeiros para potencial aumento da fatia. No conjunto, os analistas veem a movimentação como, em grande parte, um investimento financeiro.
O Bradesco BBI, ao comentar o caso, manteve recomendação de compra para ASAI3 e preço-alvo de R$ 13,00, ressaltando que, embora possa haver alguma pressão no curto prazo, o Assaí está bem posicionado para avançar em sua agenda de desalavancagem, apoiada por geração de caixa e gestão de passivos, “Pode haver alguma pressão no curto prazo, mas vemos o Assaí bem posicionado para avançar ainda mais em sua agenda de desalavancagem, apoiada por uma sólida geração de caixa e gestão de passivos”, avalia.
O Itaú BBA também mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 13, entendendo que a entrada do Grupo Muffato fortalece a narrativa sobre as ações, mas não altera fundamentalmente a tese de investimento de curto prazo, já que os desafios recentes do Assaí são atribuídos sobretudo a fatores macroeconômicos e maior concorrência.
O UBS BB mapeou a sobreposição entre as redes e constatou que cerca de 37% das lojas do Muffato no Paraná e 57% em São Paulo têm pelo menos uma loja Assaí a até 10 minutos de carro, o que implica uma sobreposição geral de aproximadamente 43%, considerada abaixo da média frente a outros concorrentes.
O que isso muda para investidores em ASAI3
Na prática, a entrada do Grupo Muffato representa um voto de confiança em termos de valuation e governança, e reforça fundamentos estratégicos do Assaí, sem indicar, por ora, mudança operacional ou de controle. Isso tende a sustentar a narrativa de valorização, mas não elimina riscos ligados a cenário macro e competição.
Investidores devem monitorar três pontos principais, alinhados às análises do mercado: confirmação de aprovação pelo CADE, eventual aumento da participação pelos Muffato, e sinais da companhia sobre desalavancagem e geração de caixa. Esses fatores definirão se a movimentação se traduz em apreciação duradoura de ASAI3 ou em volatilidade temporária.
Em resumo, a entrada do Grupo Muffato é relevante, ela reforça a confiança de parte do mercado e pode influenciar a percepção sobre ASAI3, mas, segundo bancos e estatutos citados, não altera automaticamente a tese de investimento no curto prazo.
