CME teve mercados suspensos após falha no sistema de resfriamento do data center em Aurora, Illinois, com temperaturas acima de 38°C, queda de liquidez e perdas de horas de negociação
Uma falha no sistema de resfriamento de um data center em Aurora, Illinois, paralisou parte do mercado global de derivativos por horas, afetando desde futuros de índices até petróleo e ouro.
Traders de Tóquio a Londres e Nova York viram telas congelarem, ordens caírem e liquidez sumir, em um dia em que muitos mercados já operavam com volume menor por conta do feriado nos EUA.
O episódio levantou dúvidas sobre planos de contingência e a concentração das negociações em poucos hubs digitais, conforme informação divulgada pela Bloomberg.
O que aconteceu, e onde
Na quinta-feira à noite, um dos sinais iniciais emergiu às 21h41, horário do leste dos EUA, quando a CME Group comunicou clientes que seus mercados de futuros e opções “foram suspensos”, citando “Devido a problemas técnicos,” na mensagem enviada.
O problema foi, segundo pessoas familiarizadas com o caso, o sistema de resfriamento no complexo operado pela CyrusOne em Aurora, Illinois, onde “as temperaturas ultrapassaram 38°C” dentro das salas mesmo com o frio externo.
O complexo de dados, que serve como hub principal da CME, tem “41.800 metros quadrados” e funciona como ponto central para trilhões de dólares em derivativos negociados diariamente.
Impacto imediato nos mercados
A interrupção afetou negociações de futuros de referência, incluindo West Texas Intermediate, Nasdaq 100, Nikkei, óleo de palma e ouro, além dos principais pares de moedas na plataforma EBS da CME.
Em muitos casos, plataformas congelaram, participantes foram desconectados e formadores de mercado reduziram ou pararam operações, ampliando spreads e reduzindo liquidez em títulos do Tesouro e outros ativos.
A paralisação durou cerca de 10 horas em alguns segmentos, superando interrupções anteriores e afetando ajustes de fim de mês, rolagens de contratos e posições sensíveis ao tempo de execução.
Decisões operacionais e responsabilidade
A CME, que em 2016 vendeu o local à CyrusOne e desde então aluga espaço no site, decidiu inicialmente não migrar operações para um data center reserva perto de Nova York, porque acreditou que a interrupção seria breve, citando que o problema seria resolvido “em breve,” segundo uma pessoa com conhecimento direto.
Com a persistência da falha, a decisão acabou ampliando o impacto global, e a dependência de um único hub expôs a concentração dos mercados, uma vulnerabilidade apontada por participantes do mercado.
A CyrusOne afirmou que a falha foi causada por uma falha mecânica que afetou os sistemas de resfriamento e que seus funcionários trabalharam para “restaurar as operações normais o mais rápido e seguro possível.”
Dados e citações relevantes
O episódio reforçou o papel central da CME nos mercados mundiais, em média, em outubro, “os volumes de negociação de derivativos ultrapassaram 26 milhões de contratos por dia, segundo dados do grupo.”
Especialistas e corretores destacaram que há poucas alternativas para os principais produtos negociados na CME, o que aumenta o risco quando há falhas em infraestrutura crítica.
Alguns participantes relataram que, ao receber o primeiro aviso, acharam que se tratava de problema local, como Wi-Fi caindo, até que as telas congelaram e ordens foram interrompidas, ilustrando como a confiança na conectividade é frágil em dias de tensão.
Rumo à normalidade e lições
Ao final do dia de negociações na sexta-feira, a CME havia restaurado todas as operações, incluindo o CME Direct, embora parte do mercado tenha permanecido cautelosa até confirmar a estabilidade completa.
O episódio levanta perguntas sobre contratos de terceirização de infraestrutura, redundância prática em situações extremas, e sobre a dependência de hubs centralizados para produtos financeiros de escala global.
Para traders, gestores e reguladores, o caso da CME e da CyrusOne é um alerta, e deve estimular revisões em planos de contingência, verificações de redundância e avaliação de riscos operacionais, visando reduzir a probabilidade de paralisações sistêmicas semelhantes.
Informações descritas neste texto foram compiladas a partir de reportagem da Bloomberg.
