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Caixa vai rever regras de crédito no agro após alta da inadimplência, prometendo novas condicionantes, provisões maiores e postura ‘dura’ com devedores

Caixa anuncia revisão das condições para crédito no agro, com foco em reduzir risco, ajustar provisões e separar devedores por causa da dívida, com medidas a partir do ano que vem

A Caixa Econômica Federal decidiu revisar as regras para o crédito no agro após detectar crescimento da inadimplência no setor, e pretende adotar novas condicionantes para as concessões a partir do ano que vem.

O banco elevou provisões e passou a separar perfis de devedores, oferecendo renegociação a quem teve quebra de safra e sendo mais rigoroso com quem quebrou a confiança na relação com a instituição.

A estratégia vem após leitura de riscos acumulados, com o objetivo de estabilizar a carteira e reduzir exposições, conforme informação divulgada pelo g1

O que mostram os números e a avaliação da Caixa

No terceiro trimestre deste ano, a Caixa Econômica Federal registrou lucro líquido contábil de R$ 3,8 bilhões, um aumento de 15,4% em relação ao mesmo período de 2024 e de 50,3% em relação a setembro do ano passado.

A carteira de crédito no agro estava em setembro em R$ 61,8 bilhões, um aumento de 3,7% se comparado a setembro do ano passado. Esse avanço expressivo foi considerado um dos fatores que tornaram a alta da inadimplência um ponto de atenção para a gestão do banco.

Como subiu a inadimplência e as provisões

O índice de inadimplência da Caixa subiu de 2,66% em junho para 3,01% em setembro, ainda abaixo da média da concorrência, que foi de 3,79% para 4,12% no mesmo período.

A maior contribuição para o aumento veio do agronegócio, cuja inadimplência passou de 7,02% para 11,20% entre junho e setembro. Em seguida, vieram os segmentos comercial, de 8,23% para 8,95%, e imobiliário, de 2,66% para 3,01%.

Com isso, o índice de provisão do agro também subiu, de 6,8% em junho para 9% em setembro. A carteira considerada mais segura recuou de R$ 55 bilhões para R$ 53 bilhões, enquanto os créditos mais problemáticos avançaram de R$ 6 bilhões para R$ 8 bilhões.

Medidas, mensagens e mudanças anunciadas

O presidente da Caixa, Carlos Antônio Vieira Fernandes, afirmou que o país viveu um “excesso de crédito” no agronegócio, “o que levou à acumulação de terras em vez de investimentos, elevando o risco de inadimplência no setor”.

Segundo Vieira, a instituição está “chamando todos os nossos devedores para entender a causa da dívida, para separarmos o joio do trigo. Aqueles devedores que, de fato, tiveram problemas oriundos de quebra de safra, problemas climáticos, ou de outra natureza, que efetivamente estão empenhados numa recuperação adequada, daremos apoio por meio das renegociações. Já aqueles em que, nessa relação, houve quebra de confiança, a Caixa já começa a ser muito dura com eles”.

Ele afirmou também que a Caixa vai estabilizar a carteira de concessões de crédito no agro e que “A partir do ano que vem vamos rever essas condicionantes. Então, tem toda uma estratégia adequada adotada no sentido de que a Caixa manterá a sua relação com esse segmento, mas eu acredito que a maturidade também aconteceu”.

Impacto para produtores e próximos passos

Produtores que sofreram perdas climáticas ou que ainda têm potencial de recuperação devem encontrar espaço para renegociação, já os agentes que usaram crédito para acumular terras e não para investimento podem enfrentar restrições maiores ao acessar crédito no agro.

A expectativa da Caixa é de recuperação da situação no próximo trimestre, mas a nova postura inclui maior análise de risco, elevação de provisões quando necessário, e implementação de novas condicionantes nas operações de financiamento.

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