BHP decide não seguir com tentativa final de aquisição da Anglo American, após oferta em ações e pequeno componente em dinheiro, e diz confiar em seus próprios planos
A maior mineradora listada do mundo optou por encerrar a última investida para combinar negócios com a rival, numa movimentação que altera as expectativas sobre consolidação no setor de cobre.
A abordagem, feita no final da semana passada, teria sido estruturada principalmente em ações, com um pequeno componente em dinheiro, segundo fontes próximas às empresas.
O anúncio foi formalizado em um comunicado à bolsa de valores da Austrália, conforme informação divulgada pela Reuters.
Por que a BHP recuou
A BHP informou que não vai mais buscar uma possível combinação com a Anglo depois de discussões preliminares com a diretoria da rival, e que, embora ainda acreditasse que uma união teria proporcionado ‘fortes méritos estratégicos’, decidiu focar em seus próprios planos de crescimento.
Fontes disseram à Reuters que a oferta feita no final da semana passada consistiu principalmente em ações e teve um pequeno componente em dinheiro, e que, após a Anglo rejeitar a proposta, ambas as partes concordaram em manter os detalhes em sigilo.
Analistas consultados interpretam o recuo como reflexo de negociações complexas e da avaliação de riscos regulatórios e culturais numa eventual fusão entre gigantes do setor.
Impacto no mercado de cobre e na fusão Anglo-Teck
A notícia chega apenas duas semanas antes da votação dos acionistas da Anglo e da Teck Resources sobre uma fusão avaliada em US$60 bilhões, operação que poderia redesenhar o mercado global de cobre.
O cobre é alvo central das tentativas de consolidação, porque produtores buscam escala e eficiência diante de oferta apertada e do custo crescente para achar novos depósitos, uma tendência que tem estimulado movimentos estratégicos entre as maiores mineradoras.
Na bolsa, as ações da Anglo, que subiram cerca de 16% no ano, abriram em alta de 2% em Londres após a divulgação, enquanto as ações da BHP subiram 0,4% na segunda-feira, segundo relatos da Reuters.
Reações do mercado e perspectivas
Para investidores, a retirada da BHP representa tanto um alívio quanto uma incerteza, porque evita um processo de fusão complexo, mas mantém o setor em foco sobre futuras tentativas de consolidação pela busca de ativos de cobre.
Andy Forster, gerente de portfólio da Argo Investments em Sydney, que detém ações da BHP, comentou que ‘É a última tentativa da BHP’, refletindo a leitura de mercado sobre o fim das investidas públicas da empresa, segundo informação da Reuters.
Com a BHP afirmando confiança em seus próprios planos de crescimento, o mercado agora acompanhará a votação entre Anglo e Teck e os próximos movimentos estratégicos das principais mineradoras.
